Crítica | ‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’ é aventura mais divertida e emocionante do herói em anos 

Crítica | ‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’ é aventura mais divertida e emocionante do herói em anos 

Para quem cresceu acompanhando as HQs, o Cabeça de Teia nunca foi apenas mais um herói de collant — ele era o cara comum que lidava com contas atrasadas, problemas de relacionamento e o peso de tentar fazer a coisa certa. Com o lançamento de Homem-Aranha: Um Novo Dia, a Marvel finalmente percebeu que, após a loucura interdimensional de Sem Volta Para Casa, o melhor caminho era pisar no freio, diminuir a escala e devolver o herói para o seu habitat natural: o asfalto novaiorquino.

Sinopse: O recomeço solitário de Peter Parker

A trama engata logo após o apagão mental promovido pelo feitiço do filme anterior. Sozinho no mundo, sem que ninguém se lembre de sua verdadeira identidade, Peter Parker (Tom Holland) divide um modesto apartamento e tenta juntar os cacos de sua rotina.

Entre as rondas noturnas de rotina, ele precisa lidar com a burocracia opressora do Controle de Danos — aquela agência governamental que faz a limpeza dos estragos deixados por invasões alienígenas e batalhas dos Vingadores. É nesse cenário urbano que ele cruza novamente com velhos conhecidos da sua vida pessoal, como MJ (Zendaya) e Ned (Jacob Batalon), além de atrair a atenção de figuras pesadas como o Justiceiro (Jon Bernthal) e Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo).

Crítica 'Homem-Aranha Um Novo Dia' é aventura mais divertida e emocionante do herói em anos
Crédito: Reprodução

O DNA dos quadrinhos clássicos de volta às telas

Esqueça armaduras de alta tecnologia e ameaças cósmicas que colocam o planeta em risco a cada dez minutos. O longa recupera a essência da fase dourada criada por Stan Lee e Steve Ditko nos anos 1960.

Peter volta a costurar o próprio uniforme de forma artesanal, sofre com a falta de grana e resolve os conflitos usando pura criatividade, agilidade e improviso. A sensação durante a projeção é exatamente a de estar folheando uma edição clássica de gibi, com diálogos ágeis, tiradas bem-humoradas e um senso de urgência genuinamente humano.

Nova York como personagem vivo

A cidade de Nova York nunca funcionou apenas como um cenário bonito para o herói, e aqui ela reassume o protagonismo. A direção capricha nos detalhes da vida urbana: as perseguições por entre os prédios residenciais, os becos escuros, os momentos de respiro nas calçadas e a atmosfera caótica, mas acolhedora, da metrópole. É o clima de vizinhança que sempre definiu o universo do Teioso.

Uma galeria de vilões direto das páginas impressas

O ritmo de gibi se reflete perfeitamente na forma como os criminosos aparecem para infernizar a vida de Peter. O filme desfila uma galeria fantástica de oponentes urbanos: o Escorpião brilha em sequências de pancadaria física visceral, enquanto o Lápide movimenta o submundo do crime com uma presença marcante.

Para a alegria dos fãs mais atentos, o longa ainda recheia a tela com participações e pontas rápidas de clássicos das HQs, como o Bumerangue, Tarântula, e até a presença da Capitã Jean DeWolff, honrando as histórias mais marcantes dos quadrinhos. Até mesmo as interações com o Justiceiro e com o Hulk fluem com naturalidade, desafiando a bússola moral de Peter sem roubar o foco de sua jornada individual.

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Escorpião – Crédito: Reprodução

Maturidade sem perder a alma

O que realmente diferencia esta sequência é a forma como ela trata o amadurecimento do protagonista. Sem cair no cinismo ou em tons excessivamente sombrios, o filme mostra um Peter calejado pelas perdas, mas que mantém intacto o seu coração e seu senso de humor irônico. A melancolia sutil que acompanha suas decisões dá profundidade à narrativa, provando que o garoto cresceu, mas continua sendo o mesmo herói de sempre.

Vale a pena assistir?

Um Novo Dia não tenta competir com o gigantismo do passado da franquia, e é justamente aí que reside sua maior vitória. Ao focar na simplicidade de um jovem ordinário enfrentando problemas reais, o filme entrega uma das aventuras mais divertidas, carismáticas e respeitosas do Homem-Aranha no cinema. É uma carta de amor aos fãs do personagem e uma prova de que, para brilhar de verdade, o Teioso só precisa de um par de teias e de um bom desafio nas ruas.

Homem-Aranha: Um Novo Dia chega aos cinemas do Brasil nesta quarta-feira, 29 de julho.

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