
(30 de janeiro) Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos: confira 5 curiosidades sobre as HQs no Brasil
O dia 30 de janeiro é um marco cultural importante no calendário brasileiro. É o momento de celebrar a criatividade, a resistência e a história dos quadrinhos nacionais, uma forma de arte que atravessa gerações e ajuda a formar leitores em todo o país.
Essa data foi escolhida para homenagear o lançamento da primeira obra do gênero no Brasil, ainda no século XIX. O que começou como sátira política em jornais antigos evoluiu para um mercado premiado, repleto de personagens icônicos e estilos variados.
Para comemorar, reunimos fatos que mostram a força dessa produção artística. Confira a seguir cinco curiosidades surpreendentes sobre a trajetória das HQs no Brasil.
1. Uma das primeiras HQs do mundo é brasileira
O Brasil possui um pioneirismo impressionante na nona arte. Em 30 de janeiro de 1869, Angelo Agostini publicou As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte. A obra saiu na revista Vida Fluminense e narrava as peripécias de um caipira na cidade grande.
Muitos historiadores consideram essa obra anterior ao famoso Yellow Kid (1895), dos Estados Unidos, frequentemente citado como o “pai” das HQs. Foi justamente para honrar esse legado de Agostini que a Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas de São Paulo instituiu a data comemorativa em 1984.

2. O Tico-Tico formou gênios da literatura
Se Agostini plantou a semente, a revista O Tico-Tico regou o jardim. Lançada em 1905, foi a primeira revista em quadrinhos do país voltada para o público infantil. Seu sucesso foi tão estrondoso que ela circulou até o final da década de 1970.
A importância dos quadrinhos nacionais nessa fase foi vital para a alfabetização de nomes ilustres. O poeta Carlos Drummond de Andrade, o jurista Rui Barbosa e a escritora Ruth Rocha foram leitores assíduos da revista, provando que as HQs sempre foi uma porta de entrada para o mundo das letras.

3. Ziraldo e a revolução em cores
O cartunista Ziraldo foi responsável por um marco técnico e cultural. Em 1960, ele lançou A Turma do Pererê, que se tornou a primeira revista brasileira em quadrinhos totalmente colorida e produzida por um único autor.
Além da inovação estética, a obra trazia o folclore brasileiro para o centro das atenções, valorizando a cultura local em vez de apenas reproduzir enlatados estrangeiros. A publicação original foi interrompida em 1964, devido ao início da ditadura militar, mas seus personagens permanecem no imaginário popular.

4. Mauricio de Sousa foi repórter policial
Antes de encantar o mundo com a Turma da Mônica, Mauricio de Sousa teve uma rotina bem mais pesada. Ele trabalhou como repórter policial no jornal Folha da Manhã na década de 1950, cobrindo crimes enquanto tentava emplacar seus desenhos.
A virada aconteceu em 1959, quando ele publicou sua primeira tirinha no mesmo jornal, apresentando o cãozinho Bidu e seu dono Franjinha. A Mônica, inspirada em sua filha e hoje a maior estrela dos quadrinhos nacionais, só faria sua estreia anos depois, em 1963.

5. O reconhecimento tardio do Jabuti
Apesar de sua longa trajetória e impacto educacional, as HQs demoraram a ter um espaço exclusivo na maior premiação literária do país. Durante décadas, elas concorriam em categorias generalistas, como ilustração ou capa.
Essa barreira foi quebrada apenas em 2017, quando o Prêmio Jabuti instituiu a categoria específica de “Histórias em Quadrinhos”. Essa mudança foi uma vitória para o setor, oficializando o entendimento de que as HQs são literatura complexa e merecem o mesmo prestígio dos livros tradicionais.


