‘Pânico 7’: Nostalgia e retornos marcam festa de 30 anos sem brilho

‘Pânico 7’: Nostalgia e retornos marcam festa de 30 anos sem brilho

Chegou a hora de atender o telefone mais uma vez. Celebrando 30 anos de um legado que redefiniu o terror, Pânico 7 desembarca nos cinemas nesta quinta-feira (26) com uma promessa ambiciosa.

A expectativa era de um grandioso banquete para homenagear a obra-prima de 1996, reunindo os rostos que amamos para uma celebração épica. No entanto, ao entrar na sala escura, o público descobre que a grande festa virou apenas um bolinho tímido, sustentado pela força de seus veteranos, mas sabotado por novos personagens esquecíveis e um diretor que não consegue ocultar a ausência de seu mestre.

Força do elenco clássico e atuações duvidosas

A narrativa acerta ao focar em Sidney Prescott (Neve Campbell), que agora vive reclusa em uma cidade pequena, administrando uma cafeteria e tentando manter a paz ao lado do marido Mark Evans (Joel McHale). O núcleo familiar nos apresenta a filha mais velha, Tatum (Isabel May), de 17 anos, que tenta lidar com a sombra letal da mãe.

O problema surge com a nova geração. O namorado da garota, Ben (Sam Rechner), até tenta recriar a icônica entrada pela janela imortalizada por Billy Loomis no passado, mas ostenta uma profundidade dramática nula. A performance é tão inexpressiva que arranca comparações inevitáveis com o lendário Cigano Igor, da antiga teledramaturgia brasileira. A nova leva de coadjuvantes sofre desse mesmo mal: ostenta zero carisma, inviabilizando qualquer empatia quando a faca do Ghostface começa a descer.

Quem realmente salva a sessão é Gale Weathers (Courteney Cox). A jornalista protagoniza uma entrada triunfal de tirar o fôlego — do tipo que arranca aplausos genuínos da plateia — e marca seu retorno trabalhando em conjunto com os sempre carismáticos gêmeos Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad (Mason Gooding), que continuam dominando o alívio cômico de forma natural.

'Pânico 7' Nostalgia e retornos marcam festa de 30 anos sem brilho (2)
Crédito: Jessica Miglio / Paramount Pictures / IMDb / Reprodução

Terror psicológico e armadilhas tecnológicas

A abertura do longa dita um tom sombrio e exibe uma fotografia caprichada ao nos jogar na Stu Macher House Experience — uma versão turística e macabra da casa original dos primeiros assassinatos. A partir dali, o roteiro tenta inovar ao inserir um terror muito mais psicológico.

Sem revelar surpresas da trama, o grande diferencial desta continuação é o uso perturbador da tecnologia. Ferramentas de inteligência artificial e projeções virtuais são usadas magistralmente para atormentar a mente dos protagonistas e reviver velhos fantasmas de Woodsboro. É um jogo de gato e rato atualizado para a era digital, focado em desestabilizar os sobreviventes antes do golpe final.

Fardo insubstituível de Wes Craven

Kevin Williamson brilhou incontestavelmente como o roteirista genial que moldou os primeiros filmes da saga. Contudo, ao escorregar para a cadeira principal de diretor, fica evidente que ele não alcança a magnitude necessária para preencher o enorme vazio deixado por Wes Craven.

As mortes são brutais e bem elaboradas, garantindo o sangue que os fãs exigem. Contudo, falta aquele charme único, a ironia fina e a visão transgressora que Craven (mestre absoluto também por trás de A Hora do Pesadelo) imprimia em cada quadro. Para grande parcela dos fãs, a essência inigualável da franquia foi enterrada junto com seu criador no 4º filme. Pânico 7 diverte pela nostalgia e entrega um fan service honesto, mas evidencia que a fórmula, aos 30 anos de idade, precisa da mão de um verdadeiro gênio antes que o cansaço a vença de vez.

Confira o trailer de ‘Pânico 7’:

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